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Capítulo 02 — O estúdio

Um estúdio
de catorze
pessoas teimosas.

Fundado em 2018, em uma sala dividida acima de uma livraria na Rua Augusta. Hoje continuamos no mesmo prédio — mas agora ocupamos dois andares e três fusos horários, com pessoas em São Paulo, Recife e Lisboa.

01 — Como começamos

Quatro engenheiras, uma carta de demissão coletiva, e a sensação de que o trabalho podia ser feito de outro jeito.

Ana, Heitor, Júlia e Tomás se conheceram em uma fintech grande no Itaim. Em janeiro de 2018, todos pediram demissão na mesma semana. Não foi planejado — foi um sintoma. Cada um tinha a mesma ideia incompleta sobre como produto digital devia ser concebido: com mais escuta, menos arrogância, e um respeito quase editorial pelo problema antes da solução.

O primeiro cliente foi uma cooperativa de motoristas de aplicativo no ABC. Não pagaram. Ainda assim, voltariam a contratar três vezes nos anos seguintes — agora como empresa formalizada, com mais de mil associados.

02 — Como decidimos

Recusamos cerca de 70% dos projetos que nos procuram. Não por falta de capacidade — por falta de afinidade.

Nosso filtro é desconfortavelmente subjetivo: o problema importa? A equipe escuta? O cronograma respeita o ofício? Quando esses três se alinham, dizemos sim. Quando não, recomendamos colegas e seguimos em frente — preferimos perder um contrato a aceitar um trabalho que vai sair mediano.

Há quatro anos publicamos, em pt-BR e en, todos os projetos que recusamos e o motivo. É um documento longo. Aprendemos mais com ele do que com qualquer briefing aceito.

03 — No que acreditamos

Sete princípios.
Documentados,
nunca finalizados.

São diretrizes que cabem em uma página A4. Reescrevemos em 2020, 2022, 2024. A próxima revisão acontece quando uma sócia ou pessoa de time argumenta o contrário com convicção.

  1. 01

    Pesquisa antes de pixel.

    Nenhum projeto começa em ferramenta de design. Começa em campo, em call, em planilha — em qualquer lugar onde o problema ainda fala português coloquial e não jargão de produto.

  2. 02

    Construir junto, não para.

    Nossas equipes trabalham embarcadas. Daily, retro, stand-up — todas conjuntas com o time da empresa. O hand-off é diário, não em milestone.

  3. 03

    Beleza não é luxo. É prova de cuidado.

    Defender tipografia, espaçamento e nomenclatura de variáveis é defender que o ofício importa. Estética é o resíduo visível da disciplina.

  4. 04

    Português, primeiro.

    O Brasil tem 215 milhões de falantes. Construímos pensando neles. Inglês é a segunda língua da arquitetura — não a primeira do produto.

  5. 05

    Acessibilidade é técnica, não opcional.

    Atendemos WCAG 2.2 AA como padrão de saída. Em produtos públicos, fazemos auditoria de leitor de tela com pessoas cegas — pago, sempre.

  6. 06

    O contrato termina. A relação, não.

    Mantemos office-hours mensais com clientes anteriores. Sem cobrar. Aprendemos mais com produtos depois de seis meses no ar do que durante a entrega.

  7. 07

    Time é sócio em alguma medida.

    14 pessoas, 14 contratos diferentes — todos com participação nos resultados anuais e cláusula de revisão a cada 18 meses.

04 — As quatro fundadoras

Quem assina
os contratos.

Continuamos pequenas o suficiente para que cada engajamento tenha pelo menos uma sócia presente nas reuniões importantes. Isso não escala — e essa é a ideia.

Retrato editorial em preto-e-branco de Ana Vasconcellos, em pé contra fundo claro.

Ana Vasconcellos

Sócia · Estratégia & pesquisa

Antropóloga de formação, engenheira por desvio. Conduz a pesquisa de campo e a parte mais teimosa das reuniões iniciais.

Retrato de Heitor Mendes, expressão tranquila, fundo neutro.

Heitor Mendes

Sócio · Engenharia de plataforma

Vinte anos escrevendo Elixir e Ruby. Defende tabelas de banco do mesmo jeito que defende um manuscrito raro.

Retrato de Júlia Okabe em ambiente de estúdio, iluminação natural.

Júlia Okabe

Sócia · Direção de design

Tipógrafa por treino, designer de produto por escolha. Cuida do que separa "funciona" de "está pronto".

Retrato de Tomás Vieira sorrindo discretamente, em ambiente urbano.

Tomás Vieira

Sócio · Operações & contratos

O sócio que lê todo contrato em voz alta antes de assinar. Cuida do que ninguém mais quer cuidar.

Carta aberta · 2026

Não somos uma agência. Não somos uma consultoria. Somos um ofício.

— assinado pelas catorze pessoas do estúdio · revisado em março de 2026

Quer trabalhar
com a gente, ou
na equipe?

Abrimos vagas duas vezes por ano. Para projetos, recebemos conversas o ano todo. As duas portas dão para a mesma sala — escreva pelo canal que fizer mais sentido.

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